Edmundo Vasconcellos – TCBC


Falar em perfeição da técnica cirúrgica é certamente reportar-se a um grande mestre da medicina: Edmundo Vasconcellos. A sua fama nesse sentido extrapolou as fronteiras brasileiras, tanto que o professor cirurgião da Universidade de Roma, Itália, Pietro Valdoni, chegou a apresentá-lo aos seus assistentes como o “maior cirurgião do mundo”.

– Vasconcellos foi o grande gênio da cirurgia inovadora – declarou um dos seus discípulos, o Prof. Silvano Raia.
Ele viveu em São Paulo. Foi colecionador de móveis e objetos de arte brasileira e chinesa – dizia que as duas não brigam esteticamente. Vasconcellos mostrou em sua casa como na profissão, todo o orgulho que sente por seu país.
Ao contrário de seus colegas, ele nunca se lançou na política, dedicando toda sua vida exclusivamente à medicina. Começou a vida acadêmica quando a Universidade de São Paulo ainda não existia e fez de tudo: desde cirurgias do aparelho digestivo até no campo da urologia, ginecologia e ortopedia.

Vasconcellos estimulava seus discípulos a procurarem os maiores nomes da medicina mundial no sentido de trazer inovações para o auxílio das pesquisas realizadas no Brasil. Percebendo, por exemplo a importância da anestesia, realizadas até então pelos próprios cirurgiões, ele mandou o Doutor Oscar Barretto aos Estados Unidos, estagiar com o Professor Beechar, para que, na volta, organizasse o novo Departamento de Anestesiologia na Enfermaria do Hospital das Clínicas.

Ele foi um dos pioneiros na anestesia raquidiana, tendo escrito todo o capítulo de raquianestesia no livro “Lições de Anestesia”, coordenado pelo Dr Briquet, notável professor de obstetrícia.
Depois de fazer concurso para catedrático do Departamento de Cirurgia Geral, ele criou nova especialidade: a Cirurgia Pediátrica.

Outro ramo da medicina que ainda não existia em sua época, realizado também pelos próprios cirurgiões, era a transfusão de sangue. Vasconcellos criou o primeiro serviço no Hospital Matarazzo, com verba dada pelo Conde Francisco Matarazzo. Mais tarde, no Hospital das Clínicas, organizou um centro especializado para todos os problemas do sangue, hoje Centro de Hematologia, que serve tanto a clínica médica como às demais especialidades.

Sempre buscando a perfeição da técnica, Vasconcellos ainda não se sentia satisfeito com a desorganização do ato cirúrgico. Não havia sistematização, ocasionando perda de tempo e grande confusão na mesa de instrumentos.
Publicou então um estudo sobre “Metodização Cirúrgica” e criou uma nova especialidade: a instrumentação. Vasconcellos conseguiu reduzir o tempo operatório pela metade do habitual e, com o auxílio de anestesistas especializados, diminuiu muito o risco dos pacientes.

Vasconcellos saiu pelos centros médicos mais avançados do mundo, buscando informações que pudessem auxiliar os progressos que a medicina brasileira já ensaiava nesses campos.
Para difundir seus conhecimentos da cirurgia, ele publicou vários livros e uma revista – “Arquivos de Cirurgia Clínica e Experimental”, que saiu regularmente durante 38 anos e que atualmente representa uma notável fonte de informações na área médica.

Vasconcellos ainda estudou profundamente duas afecções do aparelho digestivo, seu maior interesse: o megaesôfago e o megacólon, sobre os quais publicou um livro e um grande número de investigações científicas, levando a uma nova concepção etiológica e patogênica dessas afecções.
Seus trabalhos levaram-no a receber a Grande Cruz do Mérito Médico Brasileiro e ainda as “Palmas Acadêmicas” da França, assinada pelo então Presidente da República, General Charles De Gaulle, em 1967.

– Muitos outros escreveram seus nomes como cirurgiões exímios, mas nenhum como Vasconcellos marcou um perfil de inovador e desbravador de fronteiras.
Revista Diálogo Médico, Ano 13 – nº 5 ano 1987.
Foi um dos primeiros Membros Titulares do Capítulo de São Paulo do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, participou de sua fundação em 5 de novembro de 1941 e foi homenageado pelo mesmo Capítulo em 1985.
O professor nasceu em 16/03/1905. Formou-se na faculdade de Medicina da USP em 1928. Ocupou a cadeira nº 10 da Academia Paulista de Letras. Idealizou e fundou o Hospital Gastroclínica em 1951, que hoje leva seu nome. Faleceu aos 85 anos em 10/11/1990.

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