Emílio Athié – ECBC


Emílio Athié nasceu em Uberaba (MG) em 1918. Após os estudos de formação básica, cursou a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde graduou-se em 1941.
Desde o início de suas atividades profissionais, aliou o trabalho de assistência aos doentes à carreira universitária, dedicando-se ao aprendizado e ao ensino. Médico de visão aguçada abraçou a cirurgia, na época verdadeiramente chamada de Geral, operando os doentes portadores das mais variadas afecções, indistintamente bem. O ambiente universitário, entretanto, já instituía de modo sutil as especialidades e Athié dedicou-se, sem se especializar, à Cirurgia do Aparelho Digestivo.

Emílio Athié tratava os doentes na Santa Casa e no Hospital Regina Coeli, que fundou e dirigiu por vários anos, instituindo um serviço de Cirurgia com características acadêmicas, onde trabalharam no início de sua carreira diversos cirurgiões, hoje professores universitários. Na Santa Casa onde já esboçava, nos fins da década de cinqüenta, a fundação de uma nova escola de Medicina, sempre desejada, foi eleito presidente da Associação dos Médicos e nesta condição reuniu colegas que compartilharam da idéia e em 1963 fundou a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Instituiu, ainda, entre outros feitos, os cursos de Pós-Graduação, em 1976, sendo considerado por todos os médicos da Santa Casa e todos os professores da Faculdade “O Mestre dos mestres”.
O Prof. Dr. Emílio Athié, faleceu no dia 07 de abril de 2006, foi velado no Salão Nobre da Irmandade e sepultado no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi.

 

HOMENAGEM

por ECBC Fares Rahal
Publicado no Boletim do CBC – N° 115, 2002.

Tive a sorte de conhecê-lo nos idos de 1956 quando eu era doutorando da Escola Paulista de Medicina. Apresentaram-no como um extraordinário cirurgião, formador de “Escola” e criador do Hospital Regina Coeli, berço de formação não universitária de brilhantes cirurgiões. Com ele comecei a trabalhar diuturnamente e tive a oportunidade de conhecer um homem dotado de inúmeras qualidades. Cirurgião brilhante, capaz de transformar um ato cirúrgico por mais complexo que fosse numa operação simples. Homem digno, cavalheiro, amigo dos amigos. Líder carismático, rigoroso, mas leal, e incapaz de qualquer atitude dúbia.
Professor. Mestre. Acompanhei de perto sua livre-docência em 1959, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que realizou apesar de não pertencer aos seus quadros. Excepcional em todas as provas. Aprovado com todos os méritos.

Acompanhei-o na 1ª Clínica Cirúrgica de Homens da Casa de São Paulo, onde pontificava como um dos cirurgiões mais primorosos. Nessa enfermaria e no vetusto hospital, germinou a semente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo por ele fundada, naturalmente apoiado pela Provedoria e direção da Santa Casa.
Presidente da Associação dos Médicos da Santa Casa de São Paulo, no cargo consolidou a fundação da Faculdade, apoiado pela maioria do corpo clínico, apesar de alguns “inimigos” gratuitos que tudo fizeram para solapar a novel instituição. Venceu a tudo e a todos, amparado pelos amigos e pela direção da Santa Casa, com destemor e enorme sacrifício pessoal, força de vontade, inteligência, humildade e o imenso amor que dedicou à Santa Casa e à verdade. Claro está que uma faculdade de tal porte, das melhores do país, não pode ser creditada a um só nome. Todavia, Emíio Athié reuniu os maiores méritos na sua fundação-organização e consolidação, dirigindo-a nos 10 primeiros anos decisivos depois de instalada. Tão expressiva contribuição permite conferir-lhe o título de Fundador da Faculdade. Sem desmerecer os que o precederam, os que com ele travaram o bom combate e os que o sucederam, é pacífico que Athié e a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo se confundem e amalgamam.

Athié atraiu para o seu convívio amigos e principalmente os inimigos. Fez de alguns deles professores da Faculdade,caracterizando a enorme capacidade conciliatória de sua personalidade. Moldou uma escola médica moderna com estrutura departamental, mudando o conceito vigente nas escolas tradicionais e terminando com a figura do catedrático permitiu, desta maneira, a rotatividade das chefias. Foi um sucesso. Uniformizou as disciplinas básicas reunindo-as em unidades. Estimulou nas disciplinas clínicas o espírito da departamentalização. Implantou a modernidade. Exemplo para novas escolas médicas no país. Durante 15 anos dirigiu o Departamento de Cirurgia criando uma escola cirúrgica extraordinária. Apoiou os jovens, não renegou os mais velhos e o Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo é o que é graças a Emilio Athié.
Afastou-se das chefias espontaneamente, sempre no momento oportuno.
Enfim, homem digno, sincero, franco. Além do seu tempo.

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