Johann Eugen Künzle – ECBC


Johann Eugen Künzle nasceu em 21 de março de 1931 em Zurique, na Suíça, chegando ao Brasil acompanhado pelos pais Eugen e Rosa em junho de 1935. Apesar de grande paixão por sua terra natal, adotou o Brasil como sua Pátria e fez sua vida aqui, nacionalizando-se brasileiro e chegando a receber o Título de Cidadão Ribeiropretano. Morou no Paraná e em São Paulo até seu ingresso, como aluno da primeira turma, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto em 1951. Durante a faculdade, juntamente com alguns amigos, fundou o Curso Carlos Chagas, onde ensinava Física e Química para seus futuros colegas. Tinha orgulho de ter sido o mentor da boina amarela usada pelos calouros da medicina, cuja cor poderia identificar um aluno do primeiro ano desta faculdade em qualquer lugar.
Terminando o curso superior, iniciou sua longa trajetória profissional no Hospital São Francisco, onde se dedicou não só à atividade como médico, mas também ao ensino pós-graduado da medicina, fundando com os colegas Drs. José Velludo, Manlio Fronzaglia e Oswaldo Janólio o “Serviço de Cirurgia de Ribeirão Preto” onde participou ativamente da formação profissional e humana de incontáveis médicos, que freqüentavam o Serviço como estagiários e residentes, e de que tinha imenso orgulho. Seus ex-alunos, nos mais longínquos recantos do país certamente estão hoje lamentando a falta do grande mestre e amigo.

Possuía idéias e convicções revolucionárias e foi, além de hábil cirurgião, um grande estudiosos dos problemas ligados ao pré e pós-operatórios e, mesmo sem fazer parte de uma Universidade, publicou trabalhos científicos inovadores para a época relacionados à alta hospitalar precoce, ao banho no pós-operatório, ao estudo do equilíbrio hidro-eletrolítico e ácido básico, ao tratamento do choque, aspectos relacionados ao tratamento das feridas cirúrgicas, conceitos próprios sobre o uso de analgésicos no pós-operatório, porém sempre com um objetivo final: o paciente, independente de sua condição sócio-econômica e cultural.

Durante sua vida foi freqüentador assíduo e participante ativo de congressos médicos no Brasil e no exterior. Conquistou vários títulos médicos e, mesmo fora de um ambiente universitário, conseguiu o título de Doutor em Medicina pela UNICAMP com a tese “Hipertrofia Muscular do Piloro de Etiologia Chagásica”. Era um dos apaixonados pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões, onde tinha inúmeros amigos, tendo sido Vice-Mestre da Regional de Ribeirão Preto. Devido a circunstâncias inerentes à vida, aposentou-se por uma compulsória por si mesmo imposta, mas antes do necessário; mesmo assim continuou se dedicando à medicina: cuidava de “seus amigos”, como ele próprio dizia; preparava aulas repletas de humor e idéias irreverentes, que muitas vezes chocavam a platéia. Paralelamente, enchia a caixa dos amigos com mensagens eletrônicas, às vezes engraçadas e às vezes informativas.

Durante toda a sua vida, adorou suas pescarias, que lhe deram ainda mais prazer nos últimos anos, quando, sem seus compromissos profissionais formais, podiam se tornar realidade no momento em que desejasse, sem ter que esperar as férias de julho para suas grandes idas a Goiás juntamente com seus companheiros de aventuras, ou ao seu “Rancho Pega Nada”, em Furnas, outra sua grande paixão.

Nada disso, porém, teria valido a pena se não existisse sua família, que, para ele, era fundamental. Sua esposa Léia, seus filhos e seus pais sempre foram sua base de sustentação e onde procurava apoio nos seus momentos de dificuldades.

No dia 29 de outubro de 2005 partiu daqui repentinamente, como ele sempre desejou e como agiu durante toda a sua vida: sem avisos e cercado por sua família. Deixou uma saudade enorme, mas com certeza “viverá para sempre em três lugares: no céu, em nossas lembranças e em nossos corações”.

 

Texto de Patrícia de Souza Künzle Magalhães e Antonio Ziliotto Júnior

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